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Visa, Mastercard e Ant International juntam-se para identificar agentes de IA que fazem compras

As três empresas começaram a colaborar num modelo Know-Your-Agent interoperável. O objetivo é que lojas, carteiras digitais e redes de cartões reconheçam agentes de confiança sem repetir toda a verificação, mas cada rede mantém as suas próprias regras.

4 minAtualizado
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Visa, Mastercard e Ant International juntam-se para identificar agentes de IA que fazem compras

Quando um agente de inteligência artificial chega ao momento de pagar, a loja precisa de responder a duas perguntas: que agente é este e quem o autorizou a comprar?

A Ant International, a Mastercard e a Visa anunciaram a 10 de setembro o início de uma colaboração para tornar interoperáveis os mecanismos que usam para identificar e verificar esses agentes. O modelo chama-se Know-Your-Agent, ou KYA.

A ideia é permitir que redes de cartões, carteiras digitais, plataformas de agentes e marketplaces reconheçam sinais de confiança comuns. Assim, um agente não teria de ser verificado do zero em cada rede.

Cada empresa mantém, no entanto, os seus próprios processos de verificação e de decisão. Não se trata de uma norma única já pronta. É o início de um trabalho para chegar a princípios comuns.

O setor está a preparar-se para uma fase em que os agentes deixam de apenas recomendar produtos e passam a concluir compras. O comunicado cita uma projeção da McKinsey: 3 a 5 biliões de dólares de comércio de consumo poderão ser orquestrados por agentes até 2030. É uma estimativa, não um valor medido.

De «conhecer o cliente» a «conhecer o agente»

O nome inspira-se numa regra antiga da banca, o Know-Your-Customer. É o conjunto de procedimentos com que bancos e instituições financeiras confirmam a identidade dos clientes.

Com agentes de IA, o problema muda de forma. Quem chega ao pagamento já não é necessariamente uma pessoa, mas um software que age em nome dela. E, para uma loja, um agente legítimo e um bot malicioso podem parecer muito semelhantes.

As três empresas já tinham respostas próprias para este problema:

  • A Visa tem o Trusted Agent Protocol, pensado para distinguir agentes legítimos de tráfego automatizado malicioso.

  • A Mastercard tem o Verifiable Intent, desenvolvido com a Google, que cria um registo verificável daquilo que o utilizador autorizou.

  • A Ant International lançou em abril o Agentic Mobile Protocol, orientado para carteiras digitais e aplicações móveis.

O que muda agora é a tentativa de pôr estes sistemas a falar entre si.

Os três pilares da colaboração

Segundo o comunicado conjunto, o trabalho assenta em três frentes.

A primeira é a rastreabilidade do operador entre redes. Cada agente deve estar associado a um operador, titular de cartão, empresa ou organização validados, para que a sua atividade possa ser atribuída a alguém.

A segunda são requisitos de certificação partilhados. Os agentes são avaliados segundo critérios de segurança e de comportamento, para confirmar que funcionam como esperado.

A terceira é a monitorização contínua. Cada agente continua a ser acompanhado através de sinais de identidade e de transação, que alimentam avaliações e decisões de certificação ao longo do tempo.

Na prática, a verificação não termina quando o agente é aceite. Continua enquanto ele opera.

Porque importa
Sem uma base comum, cada agente teria de provar quem é separadamente junto de cada rede, carteira ou plataforma. As empresas afirmam que a interoperabilidade pode reduzir custos de integração e acelerar o lançamento de novos serviços, sem abdicar dos controlos de risco de cada participante. Para o utilizador, o que conta é simples: uma loja conseguir reconhecer que um agente está, de facto, autorizado a agir em seu nome.

Identificar não é o mesmo que autorizar

Há uma distinção que convém manter clara.

Identificar o agente responde à pergunta «quem é e quem o opera?».

Autorizar a compra responde a outra: «o que é que o utilizador permitiu que ele fizesse?». Isso inclui que lojas, que montantes e durante quanto tempo.

E a execução do pagamento continua a depender da aprovação das redes e das instituições envolvidas.

Um agente corretamente identificado não tem, por isso, autorização automática para qualquer compra. Limites de despesa, consentimento do utilizador e controlos de risco continuam a ser peças separadas, e essenciais, do processo.

«Verificar que as ações refletem a intenção do utilizador.» — Pablo Fourez, diretor digital da Mastercard, sobre o objetivo da interoperabilidade KYA

O que ainda não se sabe

O anúncio é um ponto de partida. As empresas dizem que vão explorar oportunidades para trabalhar em princípios comuns. Não dizem que já exista uma norma final ou adotada por todo o setor.

O primeiro enquadramento concreto é Singapura. A colaboração vai decorrer através da BuildFin.ai, uma plataforma do setor convocada pela Autoridade Monetária de Singapura (MAS). Parte do SAFR, um enquadramento de salvaguardas para agentes de IA em serviços financeiros.

Ficam várias perguntas em aberto:

  • quando haverá especificações técnicas;

  • que bancos e plataformas vão participar;

  • se o modelo será aberto a outras redes e como será governado;

  • quem responde em caso de disputa ou fraude.

Também não há qualquer indicação sobre disponibilidade na Europa ou em Portugal.

E nada disto elimina a fraude. O objetivo declarado é dar mais visibilidade sobre o risco, não garantir pagamentos sem falhas.

O sinal para o futuro
No comércio feito por agentes, a infraestrutura crítica pode deixar de ser apenas o pagamento. Passa a ser também a confiança entre máquinas: saber que agente é, em nome de quem age e dentro de que limites. Quando concorrentes diretos como a Visa e a Mastercard procuram princípios comuns, é sinal de que a identidade dos agentes está a tornar-se uma camada de base, e não um detalhe de cada produto.
Nota Radar Futuro
Este artigo baseia-se no comunicado conjunto das três empresas, de 10 de setembro de 2026. As vantagens descritas, como menor custo de integração e lançamento mais rápido de serviços, são objetivos declarados pelas próprias empresas. Ainda não foram demonstradas em operação.
Fonte
Ant International, Mastercard e Visa (comunicado conjunto)