Surto de Ébola Bundibugyo chega ao Quénia e à Nigéria por casos importados
A OMS contabilizava 9.704 casos confirmados na República Democrática do Congo e não recomendava restrições de viagem.

O surto de doença por vírus Bundibugyo alargou-se para além da República Democrática do Congo. A atualização da Organização Mundial da Saúde, publicada em 23 de outubro, confirma casos importados no Quénia e na Nigéria e transmissão sustentada em território congolês.

Até 20 de outubro, a República Democrática do Congo tinha registado 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes, uma letalidade bruta de 48,3%. Cinquenta das 66 zonas de saúde afetadas tinham notificado pelo menos um novo caso nos 21 dias anteriores.
Dois padrões fora do epicentro
No Quénia, o primeiro caso importado originou oito casos secundários entre familiares e profissionais de saúde. Todos estavam ligados ao mesmo grupo e a OMS não identificava transmissão comunitária mais ampla. A Nigéria confirmou um caso importado em Abuja e acompanhava 44 contactos.
O seguimento de contactos mostra a pressão sobre a resposta. Na República Democrática do Congo, 24.017 de 30.130 contactos foram observados nas 24 horas anteriores, uma taxa de 79,7%, abaixo do limiar operacional de 95% indicado pela OMS.
Risco diferente por território
A última avaliação disponível classificava o risco como muito elevado na República Democrática do Congo, elevado nos países fronteiriços e baixo à escala global. A OMS estava a rever esta avaliação e não recomendava restrições a viagens ou comércio.
O dado decisivo é a coexistência de transmissão intensa no epicentro e cadeias ainda delimitadas nos países com casos importados. A evolução dessas cadeias e a melhoria do seguimento de contactos determinarão se a expansão regional fica contida.
