Pequenos gadgets baratos revelam hábitos de compra e descarte em 12 países
O inquérito do WEEE Forum ouviu 10.245 adultos, incluindo 503 em Portugal. Os resultados descrevem comportamentos declarados, não o peso do lixo produzido.

Um inquérito divulgado pelo WEEE Forum para o Dia Internacional dos Resíduos Eletrónicos, a 14 de outubro, encontrou pequenos dispositivos baratos na posse de 86,8% dos adultos inquiridos. Foram ouvidos 10.245 adultos em 12 países, incluindo 503 participantes em Portugal.

O estudo, realizado pela Bellegarde Scientific Consulting, recolheu respostas online em julho e apresenta um relatório datado de setembro. A divulgação atual acrescenta dados à campanha de sensibilização; as compras recordadas abrangem os doze meses anteriores à recolha, não apenas este outono.
A curta duração cabe nas expectativas
O questionário descreveu produtos pequenos e baratos, com limites indicativos de preço: menos de dez euros para carregamento e iluminação e menos de vinte euros para acessórios tecnológicos e gadgets. Evitou usar a expressão «fast tech», que poderia induzir uma associação negativa à moda descartável.
77,6% disseram ter comprado pelo menos um destes produtos no ano anterior. Entre compradores, 57,9% recordavam um artigo usado durante seis meses ou menos; ainda assim, 60,9% manifestaram satisfação geral. O padrão é compatível com expectativas modestas: um produto pode durar pouco e continuar a ser considerado aceitável pelo comprador.
O destino é tão importante como a compra
29% dos compradores declararam guardar dispositivos sem uso em casa. As respostas sobre descarte permitiam várias opções: centros de reciclagem, lojas, lixo doméstico ou outros destinos. Por isso, somar todos os percentuais produziria uma falsa distribuição de cem por cento. O grupo que usava exclusivamente vias de lixo representa 27%; o que usava apenas reciclagem ou reutilização representa 32%.
A ponderação ajusta idade, género e população relativa dos países participantes. O relatório esclarece que a amostra não representa toda a Europa e que os resultados nacionais não foram ponderados individualmente. Não permite calcular toneladas de resíduos nem atribuir causalidade ao preço.
A contribuição está em mostrar onde a conveniência e as expectativas de duração se encontram com confusão sobre a recolha. Para avaliar respostas públicas, será necessário observar mudanças reais nos destinos dos equipamentos, para além das intenções declaradas.
