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Erros com IA num processo de Nova Iorque reabrem o debate sobre formação de advogados

2 minAtualizado
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Ilustração editorial gerada por IA de documentos jurídicos e um portátil, representando a verificação humana de trabalho assistido por IA.

Um processo em Nova Iorque voltou a expor a distância entre ter uma política de uso de inteligência artificial e verificar efetivamente o trabalho. Numa declaração apresentada a 28 de setembro, Cynthia Arato, da sociedade Shapiro Arato Bach, reconheceu que citações incorretas no caso Hill contra Foundation Media resultaram de utilização de IA sem verificação.

O que o documento confirma

A declaração responde a uma ordem judicial de 22 de setembro. Arato afirma que a sociedade tinha formação e regras que exigiam revisão das respostas geradas. A própria signatária caracteriza a falha como contrária a essas regras. É a versão apresentada pela advogada num documento do processo, não uma conclusão independente sobre todas as práticas da sociedade.

O que decidiu o juiz

Na decisão de 29 de setembro de 2026, o juiz Arun Subramanian informou que não tomaria novas medidas neste caso. Sublinhou, porém, a responsabilidade do advogado principal pela verificação de citações, transcrições e afirmações jurídicas nos documentos preparados com IA.

O juiz também advertiu que a dependência excessiva destas ferramentas pode prejudicar a formação dos jovens advogados. Como exemplo de uma possível prática de aprendizagem, sugeriu que os primeiros rascunhos de peças processuais sejam feitos sem assistência de IA. Trata-se de uma sugestão de formação, não de uma proibição geral da tecnologia. A decisão é de 29 de setembro; a notícia da Reuters que a divulgou é de 2 de outubro.

Diagrama
Diagrama explicativo sobre Erros com IA num processo de Nova Iorque reabrem o debate sobre formação de advogados.
Síntese visual: Erros com IA num processo de Nova Iorque reabrem o debate sobre formação de advogados. Fontes indicadas no diagrama. Radar Futuro — fontes incluídas na imagem.

Leia também: MIT investiga a monocultura algorítmica na contratação.

A questão vai além de encontrar o erro

A análise do Radar Futuro é que a revisão depende de competências que também precisam de ser aprendidas. Se parte do trabalho inicial passa para uma ferramenta, uma organização terá de identificar que aprendizagem essa tarefa proporcionava e como a preserva. Não basta acrescentar uma assinatura no fim de um documento.

O que acompanhar

Um processo isolado não permite medir o efeito da IA sobre toda uma profissão. O acompanhamento deve procurar práticas de supervisão verificáveis: quem consulta as fontes, como se documenta a revisão e como se avalia a capacidade dos profissionais em formação. A eficiência interessa, mas o tempo poupado só ganha significado quando o resultado mantém qualidade e responsabilidade.

Fontes
Tribunal federal de Nova Iorque — decisão de 29 de setembroTribunal — decisão integral de 29 de setembro (documento 57)Cynthia Arato — declaração judicial de 28 de setembroTribunal — ordem de 22 de setembro reproduzida pela JustiaReuters — relato de 2 de outubro