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Fóssil jurássico recua a anatomia associada à sucção nos mamíferos

Megacauda sungei preserva projeções do palato e ossos da garganta compatíveis com coordenação de sucção e deglutição há cerca de 165 milhões de anos.

2 minAtualizado
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Ilustração editorial conceptual de um pequeno mamaliaforme jurássico e anatomia oral, sem reconstrução documental.

Um fóssil do Jurássico Médio encontrado na atual Mongólia Interior preserva estruturas ósseas associadas à coordenação entre sucção, deglutição e proteção das vias respiratórias. A nova espécie, Megacauda sungei, viveu há cerca de 165 milhões de anos, antes do aparecimento dos mamíferos modernos.

Infográfico

O que ficou preservado

Microtomografia de alta resolução permitiu reconstruir o crânio e o esqueleto. No céu da boca, os autores identificaram duas pequenas projeções semelhantes às que, nos mamíferos térios atuais, sustentam o palato mole e músculos envolvidos em sugar e engolir. Ossos hioides especializados na garganta reforçam essa interpretação funcional.

Os tecidos moles raramente fossilizam. A inferência depende, por isso, da posição e da comparação das peças ósseas com animais vivos e outros fósseis. O fóssil não conserva uma cena de amamentação; oferece suporte anatómico para um mecanismo capaz de coordenar a passagem de leite ou alimento.

Uma combinação inesperada

As projeções semelhantes às dos térios coexistiam com cristas ósseas consideradas mais primitivas. Esta combinação enfraquece uma sequência evolutiva simples em que uma estrutura se transformaria diretamente na outra. Os autores propõem ainda que os monotremados atuais poderão ter perdido componentes do aparelho ancestral enquanto desenvolveram outra forma de obter leite.

Megacauda tinha aproximadamente o tamanho de uma lontra, cauda longa, dentes cortantes e adaptações compatíveis com vida semiaquática. O conjunto amplia a diversidade conhecida dos mamaliaformes que viveram ao lado dos dinossauros.

O que se pode concluir

A anatomia coloca partes essenciais do sistema de sucção e deglutição muito antes dos mamíferos modernos. A função permanece uma inferência comparativa e a história evolutiva terá de ser testada com fósseis adicionais que preservem palato, hioide e relações de parentesco com igual detalhe.

Fontes
Nature — artigoOhio University — divulgação