Pressão humana aumentou em mais de 60% das cadeias montanhosas
Uma análise global de 6 717 cadeias liga a intensificação entre 2000 e 2020 à perda de 71,69 milhões de hectares de habitat natural de montanha.

Mais de 60% das 6 717 cadeias montanhosas avaliadas no mundo estão expostas a pressão humana elevada. Entre 2000 e 2020, a intensificação dessa pressão associou-se à perda de 71,69 milhões de hectares de habitat natural de montanha, conclui um estudo publicado na Nature Communications a 24 de outubro.

Um mapa de pressão e exposição
A equipa acompanhou alterações espaciais e temporais e projetou a exposição futura sob três trajetórias socioeconómicas partilhadas. O indicador agrega marcas humanas no território e permite comparar regiões com a mesma grelha. Esta abordagem é útil para localizar concentração de risco, embora uma pontuação sintética não substitua medições locais de degradação, conectividade ou abundância de espécies.
Lacunas de proteção para vertebrados
Ao cruzar a cartografia com áreas de distribuição de vertebrados, os autores identificaram 4 234 espécies com menos de 10% do habitat específico de montanha representado em áreas protegidas. Entre elas, 1 165 estão classificadas como ameaçadas. O número descreve representação espacial, não prova declínio populacional em cada espécie. Também depende da qualidade das cartas de distribuição e dos limites adotados para as montanhas e para a pressão elevada.
Onde a análise acrescenta informação
O resultado permite priorizar cadeias onde a perda recente, a pressão projetada e a proteção insuficiente coincidem. A área legalmente protegida continua a ser apenas uma parte da resposta: eficácia de gestão, ligações entre habitats e condições fora das reservas determinam se a cobertura cartográfica se traduz em conservação. A análise estabelece uma linha de base global para testar essas decisões em escalas nacionais e locais.
