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Rãs de museu ajudam a reconstruir a chegada de um fungo à Mata Atlântica

A comparação entre coleções históricas e populações atuais liga a chegada do patógeno aos declínios observados entre 1979 e 1982.

2 minAtualizado
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Ilustração editorial gerada por IA de um pequeno anfíbio preservado num frasco junto de gavetas de coleção; não representa um exemplar ou museu real.

Exemplares de rãs guardados em museu ajudaram a identificar um provável fator dos declínios de anfíbios registados em Boracéia, no Brasil, entre 1979 e 1982. A investigação, divulgada pelo Smithsonian em 14 de outubro e publicada na Molecular Ecology, relaciona a chegada do fungo Batrachochytrium dendrobatidis com esses desaparecimentos.

Diagrama
Cronologia da investigação em Boracéia: infeção não detetada antes de 1979, mais de metade das amostras dos anos 1980 positivas e seis regressos entre 2022 e 2024; 12 de 17 espécies reencontradas.
O arquivo e a amostragem moderna permitem comparar períodos; cinco espécies não reencontradas não equivalem a cinco extinções confirmadas. Radar Futuro — fontes: Smithsonian; Molecular Ecology.

A equipa analisou mais de 370 exemplares de 17 espécies, recolhidos em cinco campanhas nos anos 1970 e 1980. Nas amostras anteriores a 1979 não detetou infeção; mais de metade dos exemplares dos anos 1980 testaram positivo. O arquivo oferece, assim, uma comparação temporal que os registos atuais isoladamente não permitem fazer.

O arquivo conserva uma cronologia

O fungo só foi formalmente descrito em 1999, depois de muitos declínios. Investigar coleções anteriores permite procurar o patógeno num período em que ninguém o estava a acompanhar diretamente.

Entre 2022 e 2024, a equipa regressou ao local em seis ocasiões e encontrou 12 das 17 espécies representadas na coleção. A ausência das restantes cinco nesses levantamentos deixa o seu destino local por esclarecer.

Os padrões de infeção também exigem interpretação: espécies com grandes declínios históricos tinham poucos sinais detetáveis no arquivo, enquanto outras estavam muito infetadas. Os autores propõem diferenças de tolerância e a possibilidade de indivíduos suscetíveis terem morrido antes da recolha. Essa explicação é uma hipótese sobre o padrão observado.

O comunicado reconhece que fatores ambientais podem ter contribuído. A sequência histórica reforça a ligação ao fungo neste local; não distribui responsabilidades por todos os declínios da Mata Atlântica. O acesso direto ao paper integral falhou nesta consulta, pelo que não acrescentamos estimativas de incerteza ou detalhes laboratoriais ausentes da fonte acessível.

O conhecimento adquirido é sobretudo temporal: uma coleção preservada permite colocar a presença de um agente infeccioso antes e depois de uma crise ecológica. A investigação transforma objetos recolhidos para outras perguntas num registo útil para estudar doenças emergentes.

Fontes
Smithsonian — comunicação primária, método e limitesMolecular Ecology — paper identificado; acesso direto indisponível