Relatório escolhe quatro regiões lunares para futuras missões tripuladas
Bhabha, Mons Hadley, bacia Orientale e planalto Aristarchus foram priorizados por perguntas científicas complementares fora dos polos.

Um relatório de consenso das Academias Nacionais dos Estados Unidos recomenda quatro destinos não polares para futuras missões tripuladas à Lua: cratera Bhabha, Mons Hadley, bacia Orientale e planalto Aristarchus. O estudo foi pedido pela NASA para orientar missões curtas, com duas pessoas e entre uma e quatro atividades extraveiculares, além da atual concentração no polo sul.

Quatro locais, quatro conjuntos de perguntas
Bhabha fica no lado oculto e daria acesso a material associado à bacia de impacto mais antiga preservada, à crosta lunar distante e a um ambiente protegido da interferência radioelétrica terrestre. A região permitiria instalar experiências de radioastronomia e ótica, embora as comunicações exijam infraestrutura dedicada.
Mons Hadley, próximo da alunagem da Apollo 15, permitiria comparar equipamentos e materiais biológicos expostos ao ambiente lunar durante mais de 50 anos, recolher novas amostras e testar observações de clima espacial e mitigação de radiação.
A bacia Orientale é um grande sistema de anéis de impacto bem preservado. O relatório aponta a diversidade geológica, o ambiente sísmico quieto, o retorno de amostras e a eventual instalação de um observatório de ondas gravitacionais. O planalto Aristarchus oferece uma paisagem vulcânica variada, possíveis recursos e locais para clima espacial e estudos de proteção radiológica.
A lista implica novas capacidades
As Academias recomendam que a NASA ultrapasse o atual limite planeado de cerca de dois quilómetros para deslocações extraveiculares, desenvolva um rover simples sem pressurização, mantenha comunicação contínua e assegure instrumentos capazes de funcionar durante vários ciclos de dia e noite lunares. Também propõem observação orbital de alta resolução para segurança e planeamento.
O que a recomendação faz — e o que não faz
Os quatro locais maximizam retorno científico complementar segundo o comité. Não são locais de alunagem aprovados, nem existe neste documento um calendário de missões. A escolha operacional terá de incorporar relevo, iluminação, propulsão, comunicações, custo e risco, além da ciência.
O valor do relatório está em ligar perguntas a lugares e a capacidades. Evita tratar qualquer regresso à Lua como equivalente: um observatório no lado oculto, amostras de uma bacia de impacto e hardware exposto desde a Apollo exigem destinos e instrumentos diferentes.
