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UNEP calcula cortes de 18% até 2030 e 45% até 2035 para limitar o excesso sobre 1,5 °C

O cenário de menor ultrapassagem aponta para um pico de 1,7–1,8 °C e regresso a 1,5 °C até 2100 com cerca de 50% de probabilidade.

7 minAtualizado
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Ilustração editorial conceptual gerada por IA sobre cenários de aquecimento global e emissões.

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente conclui que ultrapassar temporariamente 1,5 °C de aquecimento global é agora inevitável. O Emissions Gap Report 2026 muda a pergunta prática: quão alto e por quanto tempo ficará o planeta acima desse limite, e que cortes permitem regressar.

Diagrama
Gráfico de trajetórias de aquecimento: Compara 2,8 °C com pico 1,7–1,8 °C e regresso a 1,5 °C, assinalando cortes de 2030 e 2035.
Compara 2,8 °C com pico 1,7–1,8 °C e regresso a 1,5 °C, assinalando cortes de 2030 e 2035. Radar Futuro

No cenário de “menor excesso” analisado, o aquecimento atinge 1,7–1,8 °C por volta de meados do século e regressa a 1,5 °C ou menos até 2100, com cerca de 50% de probabilidade. Para seguir essa trajetória, as emissões globais terão de cair 18% até 2030 e 45% até 2035.

Uma trajetória, não uma previsão garantida

As percentagens descrevem um caminho modelado sob pressupostos específicos. Incluem reduções sustentadas de gases com efeito de estufa e remoção de dióxido de carbono. A probabilidade de 50% deixa uma margem substancial de insucesso e não elimina impactos durante as décadas acima de 1,5 °C.

O relatório estima que as políticas atuais conduzem a aproximadamente 2,8 °C de aquecimento. A diferença entre esse rumo e o cenário de menor excesso é a lacuna de implementação: metas de longo prazo precisam de medidas, investimento e redução efetiva de combustíveis fósseis na presente década.

Por que a duração importa

Cada décimo de grau adicional aumenta riscos para extremos meteorológicos, ecossistemas e sistemas humanos. Um excesso curto e limitado acumula menos calor e exposição do que permanecer durante décadas em temperaturas superiores. O regresso depende também de remoção de carbono, tecnologia cuja escala futura, custos e efeitos ambientais permanecem incertos.

O relatório não declara irrelevante a meta de Paris. Mostra que o atraso alterou a forma de a alcançar: já não é evitar toda a ultrapassagem, mas minimizar o pico e construir um caminho credível de descida. As decisões verificáveis serão as metas nacionais para 2030 e 2035, a execução anual e a expansão de políticas que já reduziram emissões.

Fonte
UNEP — Emissions Gap Report 2026