Como o pescoço das aves resiste a mergulhos a 113 km/h
Gansos-patolas e atobás têm vértebras mais curtas e largas, além de uma superfície articular adicional entre a segunda e a sexta vértebra cervical.

Gansos-patolas e atobás atingem a água de cabeça a velocidades que podem chegar a 113 quilómetros por hora. Um estudo da Universidade de Washington, publicado em 12 de outubro no The Anatomical Record, identificou diferenças nas vértebras cervicais que ajudam a explicar como o pescoço resiste ao impacto.

Vértebras mais robustas e um apoio extra
A equipa fez tomografias de exemplares de museu e construiu modelos tridimensionais. A morfometria geométrica mostrou que as aves de mergulho têm vértebras mais curtas, largas e espessas do que aves com outros estilos de alimentação. Entre a segunda e a sexta vértebra existe ainda uma faceta articular adicional.
Os investigadores interpretam essa superfície de contacto como um travão ao encurvamento para trás quando a ave entra na água com algum ângulo. A carga poderá assim percorrer a coluna cervical em vez de concentrar tensão numa articulação. Músculos do pescoço, já estudados noutros trabalhos, também contribuem para fixar a postura antes do impacto.
Convergência em escalas diferentes
Martins-pescadores, muito menores e pertencentes a outra linhagem, também apresentaram vértebras com forma mais robusta, embora sem a faceta extra. O estudo calcula que aves pequenas e grandes enfrentam tensão semelhante por área de pescoço, apesar de a força total variar com o tamanho.
A anatomia sustenta uma explicação mecânica coerente, mas o percurso da força ainda não foi medido diretamente em animais a mergulhar. Ensaios biomecânicos e modelos dinâmicos poderão testar a contribuição de cada vértebra e ajudar a reconhecer adaptações semelhantes em fósseis.
