Base global mapeia 52 elementos presentes nos tecidos das plantas
A meta-análise reúne 5 474 amostras de 73 países, 21 classes climáticas e 26 grupos de solo.

Uma equipa internacional compilou uma base de dados com medições de 52 elementos em 5 474 amostras de plantas recolhidas em 73 países. A meta-análise, publicada na ACS Environmental Au, atravessa 21 classes climáticas e 26 grupos de solo e procura responder a uma pergunta mais ampla do que a nutrição clássica: que elementos estão efetivamente presentes nos tecidos vegetais?

Além dos 17 elementos essenciais
A agronomia concentra-se habitualmente nos elementos necessários ao crescimento, como azoto, fósforo, potássio, ferro ou zinco. As raízes absorvem também outros elementos disponíveis no solo e na água. A nova base agrega esses dados dispersos para criar uma referência comparável entre espécies e ambientes.
Vinte elementos não considerados essenciais apareceram, em média, em concentrações superiores às do molibdénio, o elemento essencial menos concentrado no conjunto. O resultado não prova que esses elementos tenham funções biológicas desconhecidas; mostra que são suficientemente comuns para justificar investigação sistemática.
Um sinal evolutivo
Plantas próximas na árvore evolutiva tenderam a apresentar perfis elementares semelhantes. Esta estrutura sugere que a composição não depende apenas do solo imediato: linhagem, anatomia e fisiologia também condicionam o que é absorvido e retido. A base permite testar essas contribuições em escala global.
Como meta-análise, o recurso herda diferenças entre estudos: partes da planta amostradas, métodos analíticos, estação, idade e condições de crescimento. A cobertura geográfica é ampla, mas não uniforme. A referência descreve distribuições observadas e não define por si só valores ideais ou limites de segurança.
Da agricultura ao espaço
O projeto começou com perguntas sobre plantas cultivadas em regolito lunar ou marciano simulado. Para interpretar esses ensaios, faltava uma linha de base terrestre. O novo conjunto pode apoiar comparações sobre metais acumulados em alimentos, remoção de elementos por culturas e circulação de elementos nos ecossistemas.
Também oferece dados para modelos globais e ferramentas de aprendizagem automática, desde que os utilizadores preservem metadados e vieses de amostragem. A contribuição imediata é uma infraestrutura de conhecimento; aplicações agrícolas ou espaciais terão de ser testadas em experiências próprias.
