CMA consulta o mercado sobre o poder da Microsoft no software empresarial
O regulador britânico propõe uma designação de estatuto estratégico e identifica quatro frentes para estudar intervenções, da cloud à IA.

A autoridade britânica da concorrência abriu, em 16 de outubro, uma consulta sobre a proposta de atribuir estatuto de mercado estratégico à Microsoft no seu ecossistema de software empresarial. As respostas podem ser entregues até às 17h00 de 13 de novembro. A decisão final está prevista até 13 de fevereiro de 2027.

A proposta reúne software de produtividade, sistemas operativos para computadores e servidores, bases de dados relacionais e segurança. A CMA considera provisoriamente que estas atividades devem ser tratadas como um ecossistema, atendendo às suas ligações técnicas e comerciais.
O custo de trocar uma peça
O roteiro publicado com a proposta ajuda a perceber a pergunta económica. Uma empresa pode desejar substituir uma aplicação e continuar a precisar das restantes. Os concorrentes ouvidos pela CMA apontam dificuldades na portabilidade de dados, no acesso às interfaces de integração e na equivalência de acesso à informação do Microsoft 365.
São contributos recolhidos na investigação, sujeitos a avaliação. A pesquisa da CMA junto de clientes também encontrou vantagens percebidas na compra conjunta: os pacotes podem parecer mais económicos do que licenças separadas. Um produto adicional incluído no pacote pode ser visto como já pago, alterando a comparação com uma alternativa vendida isoladamente.
Quatro áreas para recolher mais evidência
O regulador quer aprofundar o licenciamento na cloud, funcionalidades de IA no software de produtividade, aplicações de comunicação e colaboração e segurança. Na IA, a questão inclui as condições em que fornecedores alternativos podem integrar os seus produtos no ecossistema e competir com as funcionalidades da Microsoft.
O roteiro descreve trabalho futuro. Uma eventual designação permitiria usar instrumentos do regime britânico de mercados digitais, mas as intervenções concretas dependeriam de evidência adicional, proporcionalidade e consulta. A própria designação não estabelece uma infração.
O que muda nesta fase
A mudança verificável é a publicação de uma posição provisória e de um percurso de investigação sobre escolhas empresariais. Para compradores e fornecedores, a consulta cria uma oportunidade de documentar custos de migração, condições de licenciamento e obstáculos técnicos concretos.
O processo aplica-se ao Reino Unido. Os documentos ainda não permitem concluir que preços baixarão ou que determinadas integrações terão de ser abertas. Permitem identificar o centro da análise: se a combinação de produtos preserva os benefícios da integração e deixa espaço efetivo para escolher componentes concorrentes.
