Implante experimental converte glicose com eletricidade e regula-a em ratinhos
O sistema sem células nem enzimas funcionou durante seis semanas em animais; ainda não foi testado em pessoas.

Investigadores da ETH Zurique desenvolveram um implante que usa um catalisador inorgânico para converter glicose em gluconato. O sistema foi testado numa solução de cinco litros e em ratinhos diabéticos, onde regulou a glicemia durante seis semanas.

O catalisador combina feltro de grafite, nanoclusters de ouro e partículas de platina. Uma unidade eletrónica recebe energia sem fios a 13,56 megahertz e pode ser ativada a partir dos dados de um sensor contínuo de glicose.
Um circuito fechado químico e eletrónico
Quando o sensor deteta glicose acima do alvo, um dispositivo externo envia energia ao implante. O catalisador promove a conversão em gluconato; quando a concentração baixa, o sistema desliga-se. A equipa procura assim reduzir o risco de descida excessiva da glicemia.
No ensaio em solução, o volume aproximava-se do sangue de um adulto. Nos animais, os autores relataram regulação da glicemia, perda de peso, tolerância ao implante e ausência de sinais de lesão elétrica ou térmica durante o período observado.
O passo clínico continua em aberto
O trabalho, publicado na Science em 22 de outubro, demonstra funcionamento pré-clínico. Não mede eficácia, durabilidade ou segurança em seres humanos e não estabelece comparação clínica com medicamentos existentes.
A contribuição está no mecanismo: retirar glicose do metabolismo por uma reação controlada eletronicamente e sem células ou enzimas. O desenvolvimento como dispositivo médico exigirá avaliar materiais, produtos da reação, estabilidade e controlo em condições humanas.
