MIT automatiza a produção de nanopartículas para desenvolver terapias de RNA
O sistema controla o tamanho das partículas e permite testar mais combinações. A utilidade clínica de cada formulação ainda precisa de ser demonstrada.

Uma terapia de RNA precisa de chegar às células antes de se degradar. Para isso, muitos investigadores recorrem a nanopartículas lipídicas: pequenas estruturas de gordura que transportam o material genético.
O problema é que pequenas mudanças no tamanho e na forma destas partículas podem alterar o seu comportamento. Investigadores do MIT apresentaram a 25 de setembro um sistema que automatiza a produção de partículas com dimensões definidas, para permitir testar formulações de forma mais rápida e controlada.

Uma pausa entre duas misturas
O método divide a formação das partículas em duas etapas. Primeiro, mistura o material genético com os lípidos. Depois de um intervalo ajustável, acrescenta uma solução que interrompe o crescimento das partículas. Variar o tempo entre as duas misturas ajuda a controlar o tamanho final.
A equipa já tinha descrito essa estratégia anteriormente. A novidade do trabalho divulgado agora é a automatização: o sistema mede o tamanho das partículas à medida que são produzidas e ajusta parâmetros quando o resultado se afasta do objetivo.
Os investigadores também conseguem produzir partículas com formas diferentes. Há, no entanto, uma distinção: a medição da forma ainda é feita fora do circuito automático. O controlo de tamanho é a parte acompanhada e corrigida pelo sistema durante a produção.
Porque é que o tamanho importa?
Duas nanopartículas com a mesma composição, mas dimensões diferentes, podem distribuir-se de maneira diferente no organismo. Isso torna o tamanho uma variável importante ao estudar a entrega de RNA a órgãos e tecidos.
Segundo o MIT, a plataforma permitiu recolher dados sobre as condições de produção e treinar um modelo que prevê que parâmetros podem gerar determinadas características. Isto pode reduzir o número de tentativas necessárias para encontrar formulações candidatas a testes posteriores.
É uma ferramenta para investigação, não uma nova vacina ou um tratamento disponível. Produzir uma partícula com o tamanho pretendido não demonstra, por si só, que ela chega ao tecido certo, que é segura ou que uma terapia funciona em pessoas.
O próximo obstáculo é biológico
O valor desta abordagem dependerá do que acontecer depois da bancada de fabrico: comparar formulações em sistemas biológicos, verificar onde as partículas chegam e avaliar eficácia e efeitos indesejados. A passagem para produção em escala também terá de preservar as características medidas em laboratório.
O sinal de futuro está na capacidade de transformar a produção destas partículas numa experiência mais sistemática. Quando é possível mudar uma variável, medir o resultado e repetir o processo rapidamente, torna-se mais fácil perceber quais os veículos que merecem investigação adicional.
