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ONU pede uma rede de inteligência para medir o carbono do oceano

O oceano absorve cerca de 30% do CO₂ humano e 90% do excesso de calor; o aquecimento já reduz a captação de carbono face ao cenário sem alterações climáticas.

5 minAtualizado
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Boia, sensor submerso e satélite observam o oceano; imagem conceptual gerada por IA.

O Climate Technology Progress Report 2026 propõe uma infraestrutura de “Inteligência do Carbono Oceânico” que una sensores, navios, boias, satélites, bases de dados e modelos. O objetivo é transformar medições fragmentadas numa capacidade contínua para perceber quanto carbono entra no oceano, onde fica armazenado e como essa função está a mudar.

Um amortecedor sob pressão

O relatório estima que o oceano absorve aproximadamente 30% do dióxido de carbono gerado por atividades humanas e cerca de 90% do excesso de calor retido pelo aquecimento global. Esse serviço abranda o aumento da temperatura atmosférica, mas altera a química da água e depende de circulação, mistura, biologia e trocas com a atmosfera.

O efeito do próprio aquecimento

A síntese científica indica que as alterações climáticas já reduzem a absorção oceânica de carbono em cerca de 6% face ao que ocorreria apenas com o aumento do CO₂ atmosférico. A comparação não significa que o oceano tenha deixado de funcionar como sumidouro; mede a perda causada pelo aquecimento e por outras mudanças climáticas relativamente a um cenário contrafactual.

Tecnologias com medição e regras

O documento analisa restauro de ecossistemas costeiros e métodos emergentes de remoção de CO₂ marinho. Para avaliar benefícios, permanência e impactos, recomenda observação de longo prazo, sistemas de dados interoperáveis, transparência e salvaguardas ambientais e sociais. Persistem lacunas particularmente relevantes para países costeiros e pequenos Estados insulares.

Conhecimento antes da escala

A conclusão central é operacional: soluções oceânicas só podem complementar cortes rápidos de emissões. Sem linhas de base, monitorização transfronteiriça e modelos validados, governos e investidores não conseguem separar armazenamento duradouro, deslocação temporária de carbono e efeitos indesejados nos ecossistemas.

Fonte
UNEP