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Sedimentos australianos ligam mudança da paisagem colonial a incêndios mais intensos

Um registo de mil anos em Croajingolong mostra a transformação de uma paisagem aberta em floresta mais densa.

3 minAtualizado
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Ilustração editorial conceptual gerada por IA: amostra de sedimentos diante de um lago e de uma paisagem de eucaliptos imaginada.

Um estudo publicado na Nature em 7 de outubro reconstrói mil anos de vegetação e fogo numa área do sudeste australiano e relaciona a transformação da paisagem com a interrupção da gestão indígena após a colonização. O trabalho mostra como o passado do uso do solo ajuda a explicar a vulnerabilidade atual a incêndios.

A investigação é liderada por Michael-Shawn Fletcher, da Universidade de Melbourne, com a participação da Gunaikurnai Land and Waters Aboriginal Corporation. O registo vem de sedimentos de Purghagoolah, também conhecido como Lake Elusive, no Parque Nacional de Croajingolong, em East Gippsland.

Ler a paisagem que ficou no lago

Os sedimentos preservam vestígios de vegetação, fogo e erosão. A universidade explica que a análise infravermelha do carvão conservado nesses depósitos permite reconstruir temperaturas de combustão. É uma forma de comparar regimes de fogo ao longo de um período muito anterior aos registos instrumentais atuais.

Os autores descrevem uma paisagem pré-colonial aberta e estável, mantida com queimas culturais frequentes, de pequena escala e baixa temperatura. Após a perturbação colonial, identificam incêndios mais quentes, aumento da erosão e uma cobertura de eucaliptos quatro vezes maior na reconstrução.

A cronologia é importante: a transformação começou antes do aquecimento de origem humana. O trabalho acrescenta, por isso, um antecedente à leitura dos incêndios atuais. A estrutura da vegetação e o combustível disponível mudaram antes de as condições climáticas recentes agravarem o perigo.

Um mecanismo proposto a partir do registo

Na interpretação dos investigadores, incêndios intensos e uma floresta mais densa podem reforçar-se, aumentando o combustível que fica disponível para novos episódios. O artigo apresenta esta relação como uma malha de realimentação inferida. Os vestígios históricos sustentam a sequência observada; a força de cada ligação causal exige uma interpretação conjunta dos dados e do contexto.

O alcance é regional. Esta reconstrução não atribui uma fração de todos os incêndios australianos à colonização e não permite transferir diretamente práticas de queima para outros ecossistemas. Vegetação, clima, conhecimento local e condições de segurança têm de ser considerados em cada território.

Nesta consulta, foi possível verificar o resumo, os elementos indexados do artigo e o comunicado da universidade, datado de 8 de outubro. O acesso direto ao corpo integral da Nature falhou. Não acrescentamos estimativas de incerteza, contagens de amostras ou taxas de incêndio que não conseguimos revalidar.

A conclusão sustentada é que a vulnerabilidade estudada tem uma história de gestão da paisagem. Os autores defendem integrar conhecimento e participação dos povos indígenas na gestão do fogo. A avaliação de intervenções futuras terá de documentar os seus efeitos sobre vegetação, combustível e segurança.

Fontes
Nature — Fletcher et al., 7/10/2026Universidade de Melbourne — resultados e método, 8/10/2026