Eólica offshore mantém 93% da procura de terras raras num cenário europeu
O cenário modelado instala menos capacidade solar e eólica total, mas conserva quase toda a procura de ímanes de terras raras por privilegiar turbinas no mar.

Priorizar a expansão eólica offshore não reduz proporcionalmente a procura europeia de terras raras, segundo um estudo de cenários até 2050. A opção centrada no mar instalaria cerca de 22% menos capacidade solar e eólica total do que o cenário de expansão completa, mas manteria 69 200 toneladas de terras raras: aproximadamente 93% das 74 200 toneladas do cenário completo.
Da potência instalada aos materiais
Os investigadores modelaram três trajetórias para os 27 Estados-membros: cumprimento integral das metas consideradas; crescimento mais lento em solar, eólica terrestre e marítima; e prioridade ao offshore com abrandamento das outras duas tecnologias. Converteram a capacidade adicional face a 2023 em necessidades de materiais por unidade de potência.
No cenário completo, o equipamento de geração exigiria cerca de 5,8 milhões de toneladas de cobre e 74 200 toneladas de terras raras. Os totais acumulam a capacidade acrescentada até 2050. Excluem redes elétricas, armazenamento e veículos, pelo que não representam toda a procura da transição energética.
Porque o mar altera a conta
Muitos geradores offshore usam ímanes permanentes com neodímio e outras terras raras. No modelo, a intensidade destes materiais por gigawatt é superior à da eólica terrestre. Manter a instalação marítima próxima do referencial completo conserva, por isso, grande parte da procura mesmo quando a capacidade total desce.
A análise assume intensidades materiais constantes. Novos geradores, reciclagem ou ímanes com outra composição podem baixar alguns valores e deslocar a pressão para cobre, níquel ou outros recursos. É um exercício comparativo de cenários, não uma previsão única do que a Europa construirá.
A dependência está também no processamento
A Agência Internacional de Energia estimou que a China concentrava 91% da produção refinada mundial de terras raras para ímanes em 2024. Abrir minas noutros países não resolve, por si, a transformação em materiais e componentes. O resultado liga as opções de implantação renovável a refinação, fabrico de ímanes, reciclagem e reservas estratégicas.
