Hong Kong prepara a passagem dos veículos autónomos para operações comerciais
O Departamento de Transportes vai aceitar candidaturas para projetos individuais ainda em 2026. Os testes sem condutor não equivalem a uma autorização geral para circular.

Um veículo autónomo que completa um percurso de teste ainda não é, por isso, um serviço de transportes disponível ao público. Entre as duas situações há decisões sobre locais de operação, segurança e condições de utilização. É essa passagem que Hong Kong começa agora a preparar.
O Departamento de Transportes anunciou a 28 de setembro que aceitará, ainda este ano, candidaturas de operadores para a exploração comercial de projetos individuais de veículos autónomos. A medida foi apresentada pela comissária para os Transportes, Winnie Tse, na terceira reunião do grupo de trabalho dedicado à aplicação destes veículos.
O que já foi testado
Segundo o Governo de Hong Kong, houve ensaios sem condutor na ilha do aeroporto no final de julho e no parque automatizado do porto da ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau em meados de setembro. O departamento já atribui licenças piloto para diferentes tipos de veículos e zonas; o seu quadro regulatório específico para testes entrou em vigor em março de 2024.
A existência dessas licenças mostra uma progressão por projetos e percursos definidos. Não demonstra que qualquer empresa esteja autorizada a lançar um serviço comercial em toda a cidade. O anúncio de setembro é sobre a abertura de candidaturas, não sobre uma aprovação generalizada.
A integração no sistema de transportes
Entre as ligações em desenvolvimento está o Airportcity Link, que deverá unir a zona do porto da ponte a SKYCITY. Outra proposta, apresentada pela operadora ferroviária MTR e pela autoridade aeroportuária, procura ligar a estação ferroviária de alta velocidade de West Kowloon ao Airport Express na estação de Kowloon. O Governo aponta o segundo trimestre de 2027 como data prevista para o arranque desta última ligação — um calendário, não um serviço já em funcionamento.
Estas experiências colocam uma pergunta mais concreta do que saber se um automóvel consegue conduzir sem pessoa ao volante: em que percurso, com que supervisão e com que fiabilidade pode transportar passageiros num sistema que já tem horários, transbordos e regras próprias?
O que falta acompanhar
As próximas respostas virão das condições aplicadas a cada candidatura, das zonas autorizadas e dos resultados de operação. Será importante distinguir licenças para testes, aprovação de um projeto comercial específico e disponibilidade efetiva para o público.
O sinal para o futuro está nessa passagem gradual. A tecnologia pode demonstrar capacidade em ensaios, mas tornar-se transporte quotidiano exige uma operação segura, verificável e integrada na cidade.
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