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Mão robótica open source pega numa framboesa sem a esmagar

A CRAFT Hand combina peças rígidas e articulações flexíveis para manipular objetos delicados. O desenho aberto custa menos de 600 dólares, mas os resultados ainda precisam de validação independente.

6 minAtualizado
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Mão robótica open source pega numa framboesa sem a esmagar

Uma mão robótica de cinco dedos, construída com peças impressas em 3D e 15 motores, conseguiu pegar numa framboesa sem a esmagar. Chama-se CRAFT Hand e foi desenvolvida por investigadores da UC Irvine e da University of Illinois Urbana-Champaign como uma plataforma aberta, relativamente barata e capaz de lidar com objetos frágeis.

A divulgação institucional da UC Irvine, publicada a 21 de setembro, descreve uma mão com cerca de 800 gramas e um custo de construção inferior a 600 dólares. O hardware e o software são open source, permitindo que outros laboratórios estudem, reproduzam e adaptem o sistema sem começar do zero.

Uma mão que cede antes de partir

O ponto central não está apenas nos motores ou no programa que controla os dedos. A CRAFT Hand combina segmentos rígidos, impressos em PLA, com articulações flexíveis em TPU. Em engenharia, esta capacidade de uma estrutura ceder de forma controlada é frequentemente descrita como compliance mecânica.

A explicação geral é simples: uma mão totalmente rígida transmite quase todo o impacto ao objeto e ao próprio mecanismo. Uma estrutura com flexibilidade localizada consegue absorver parte desse contacto e adaptar-se à forma do que segura. Isso não elimina a necessidade de sensores e controlo, mas transfere uma parte do problema para o desenho físico da mão.

Infográfico
Infográfico com quatro dados divulgados pela equipa da CRAFT Hand: cinco dedos, quinze motores, cerca de oitocentos gramas e custo inferior a seiscentos dólares.
Quatro características divulgadas pela equipa; o custo varia com os materiais e a configuração. Elaboração Radar Futuro
Diagrama
Diagrama conceptual que mostra a estrutura rígida em PLA e as zonas flexíveis em TPU a convergirem para absorção de impacto, melhor adaptação ao objeto e manipulação mais delicada.
A flexibilidade localizada ajuda a mão a adaptar o contacto sem abdicar da estrutura rígida. Elaboração Radar Futuro

Os 15 motores acionam os cinco dedos através de um sistema que procura reproduzir movimentos úteis para diferentes formas de preensão. Segundo a equipa, a mão executou os 33 tipos de preensão descritos na taxonomia de Feix, uma referência usada para organizar a variedade de maneiras como a mão humana segura objetos.

Da moeda à framboesa

Nos testes descritos pelos investigadores, a CRAFT Hand manipulou objetos com exigências muito diferentes: uma moeda, um ovo, um copo, uma batata frita e uma framboesa. A equipa reportou uma taxa de sucesso de 100% nos ensaios com objetos frágeis.

Esse número deve ser lido dentro do contexto em que foi obtido. Trata-se do resultado dos testes conduzidos pelos próprios autores, em condições definidas pela equipa, e não de um benchmark universal já reproduzido por laboratórios independentes. O desenho pode ser promissor sem que isso permita concluir, por enquanto, que supera todas as alternativas em tarefas reais.

O trabalho foi apresentado anteriormente na conferência Robotics: Science and Systems 2026. A notícia de 21 de setembro é uma divulgação institucional posterior e não a data de publicação do artigo científico.

O corpo também resolve problemas

Grande parte da atenção recente em robótica concentra-se no software: modelos que interpretam uma cena, escolhem uma ação e aprendem com demonstrações. A CRAFT Hand aponta para a outra metade do problema. Mesmo um sistema de controlo competente depende de uma interface física capaz de tocar, apertar e largar sem destruir o objeto ou danificar o mecanismo.

Uma plataforma aberta pode ter impacto sobretudo na investigação e na prototipagem. Um custo inferior a 600 dólares não transforma automaticamente a mão num produto doméstico ou industrial, mas pode reduzir a barreira de entrada para equipas que precisam de recolher dados, comparar estratégias de controlo ou testar novas tarefas de manipulação.

O que falta demonstrar

A próxima questão é a repetibilidade. Outros grupos terão de construir a mão, executar protocolos comparáveis e medir não só o sucesso imediato, mas também a precisão, a força, a manutenção e o desgaste ao longo do tempo. Articulações flexíveis podem proteger objetos delicados, mas a durabilidade do TPU em ciclos prolongados será decisiva.

Também importa perceber em que contextos a combinação de PLA e TPU oferece vantagem prática: robótica doméstica, linhas industriais, próteses experimentais ou sistemas assistivos têm requisitos diferentes. Para já, o resultado mais relevante é mostrar que a destreza robótica não depende apenas de um “cérebro” mais sofisticado. Por vezes, começa numa mão desenhada para ceder no momento certo.

Fonte
UC Irvine