MMX prepara viagem a Phobos para investigar a origem das luas de Marte
Lançamento previsto para 19 de outubro, às 20h41 de Lisboa; a missão deverá trazer amostras à Terra em 2031.

A missão japonesa MMX tem o lançamento previsto para 19 de outubro, às 20h41 de Lisboa — já 20 de outubro, às 4h41, no Japão. Na atualização publicada em 15 de outubro, a NASA detalhou a sua participação numa viagem destinada a estudar Phobos e Deimos e a trazer material de Phobos à Terra.

A pergunta científica tem duas hipóteses principais: as luas podem resultar de detritos projetados por um grande impacto em Marte ou de asteroides capturados pela gravidade do planeta. A comparação entre composição observada e amostras analisadas em laboratório poderá ajudar a distinguir essas origens.
Observar primeiro, recolher depois
Segundo a JAXA, a nave deverá aproximar-se de Phobos, observar locais candidatos e escolher onde realizar a recolha. Deimos será estudada à distância. O objetivo de amostragem é obter pelo menos dez gramas de material de Phobos.
O instrumento MEGANE, contribuição da NASA, mede raios gama e neutrões emitidos pela superfície para determinar a composição elementar. Um amostrador pneumático usa impulsos de azoto sob pressão para recolher material superficial; complementa o sistema japonês de recolha de testemunhos a maior profundidade. São formas de recolha distintas, com informação potencialmente complementar.
Um calendário de vários anos
O plano divulgado prevê chegada a Marte em agosto de 2027, recolha de amostras não antes de dezembro de 2028 e entrega na Terra em 2031. O lançamento ainda é uma operação prevista e estes marcos dependem do progresso da missão.
A JAXA descreve uma arquitetura que separa módulos ao longo da viagem: a configuração necessária para chegar a Marte difere da que regressará à Terra. A cápsula de amostras terá de completar a reentrada e ser recuperada.
O valor da missão está em ligar medições remotas a material que investigadores poderão analisar com instrumentos terrestres. A origem das luas permanece uma pergunta em investigação; o calendário anunciado não antecipa a resposta.
