Webb permite mapear diferenças na atmosfera de WASP-17 b
O método publicado em 14 de outubro extrai variações em torno do bordo atmosférico. As observações usadas foram recolhidas em março de 2023.

Uma nova análise de observações do telescópio James Webb permite distinguir variações em torno do bordo atmosférico de WASP-17 b, um gigante gasoso quente. O trabalho de Lili Alderson e colegas, publicado em 14 de outubro na Nature Astronomy, aplica o método chamado transmission strings a dados de trânsito do planeta.

Quando o planeta passa à frente da estrela, parte da luz atravessa a atmosfera. A quantidade de luz bloqueada varia com o comprimento de onda e com a região atmosférica que atravessa o disco estelar. A equipa usa essas mudanças no tempo para reconstruir diferenças no contorno observado.
Um mapa reconstruído a partir da luz
O método permite estudar variações entre manhã e tarde e entre equador e polos. O resultado é uma inferência obtida por ajuste de modelos às observações, não uma fotografia direta das camadas gasosas.
Os dados foram recolhidos em março de 2023 com três instrumentos do Webb: NIRISS, NIRSpec e MIRI. A publicação atual reúne informação entre 0,6 e 12 micrómetros para investigar a estrutura térmica e química do bordo por onde a luz é transmitida.
O estudo estima cerca de 858 kelvin para o lado da manhã, com intervalo de 625 a 1.292 kelvin, e 1.522 kelvin para o lado da tarde, entre 1.408 e 1.638 kelvin. Os intervalos são assimétricos e mostram que as duas estimativas não têm a mesma precisão. A diferença central é de aproximadamente 650 kelvin.
A geometria do modelo importa
Na reconstrução, os autores assumem simetria norte–sul em torno do equador. A técnica consegue explorar a mudança do equador para os polos dentro dessa hipótese. Um mapa com esse pressuposto não resolve separadamente todas as possíveis diferenças entre hemisférios.
A equipa encontra abundâncias de água e dióxido de carbono compatíveis com valores constantes em torno do bordo, dentro das restrições das medições. O sinal no infravermelho mais longo tem menor capacidade para distinguir algumas variações.
O avanço é acrescentar estrutura espacial a uma atmosfera que antes podia ser descrita por valores médios. Isso fornece testes mais específicos aos modelos de circulação e química. Novas observações poderão melhorar a caracterização de aerossóis, ainda pouco restringida neste conjunto de dados.
