Satélites cruzam calor, altura e cor do oceano para seguir El Niño
Visualizações divulgadas em 15 de outubro comparam 2025 e 2026; a previsão de intensidade exige distinguir índices, regiões e períodos.

A NASA divulgou em 15 de outubro uma comparação de três sinais de El Niño no Pacífico tropical: temperatura à superfície, altura do oceano e cor da água. As visualizações alinham os mesmos meses de 2025 e 2026, permitindo observar mudanças que uma única imagem de temperatura não descreve.

Os produtos mostram águas superficiais mais quentes no Pacífico central e oriental, alturas acima do habitual e alterações de cor associadas a menos fitoplâncton. Cada medição observa uma propriedade diferente; a convergência ajuda a interpretar o estado do sistema.
Um oceano observado por instrumentos diferentes
A altimetria dos satélites Sentinel-6 acompanha a altura da superfície. O instrumento de cor oceânica do PACE observa muitas bandas de luz, das quais se calcula a chamada comprimento de onda visível aparente.
Durante El Niño, a alteração dos ventos reduz a subida de água profunda rica em nutrientes em partes do Pacífico. Essa mudança pode reduzir o fitoplâncton e alterar a cor observada. A relação é interpretada no contexto oceanográfico; o azul de uma imagem, isoladamente, não mede a quantidade de alimento disponível para todos os animais.
A previsão não é um recorde confirmado
O boletim da NOAA de 8 de outubro atribui 83% de probabilidade a um episódio que ultrapasse a intensidade dos eventos desde 1950 no período outubro–dezembro, usando um limiar de pelo menos +2,5 °C no índice RONI de três meses. Esse valor é uma previsão com período e critério próprios, não a confirmação de um recorde já medido.
A NOAA registava então +2,1 °C no índice Niño-3.4 e valores diferentes noutras regiões. Não se devem misturar esses índices com uma temperatura local ou com outro intervalo temporal para declarar um máximo histórico.
A conclusão sustentada é que El Niño estava a fortalecer-se e podia atingir grande intensidade. As consequências meteorológicas dependem da região e da estação; o boletim salienta que impactos típicos se tornam mais prováveis, sem os garantir. As observações por satélite acrescentam uma visão física e biológica, enquanto a previsão conserva a sua incerteza.
