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Reciclagem química recupera o bloco de construção de silicones usados

Investigadores da TU Berlin converteram diferentes produtos de silicone em dimetildiclorossilano, matéria-prima para novos materiais.

4 minAtualizado
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Reciclagem química recupera o bloco de construção de silicones usados

Quebrar um polímero feito para resistir

Uma equipa da Technische Universität Berlin apresentou em 28 de outubro um método para decompor cadeias de silicone e recuperar dimetildiclorossilano, um dos blocos de construção usados na produção de novos silicones. O trabalho foi publicado na Nature e testado em vários produtos do quotidiano.

A estabilidade térmica e química que torna os silicones úteis em vedantes, dispositivos médicos e utensílios também dificulta a reciclagem. A maior parte dos resíduos perde valor ou é eliminada, porque recuperar monómeros utilizáveis requer quebrar ligações silício–oxigénio resistentes.

Um ciclo de reações, não uma simples fusão

O processo usa ciclos químicos acoplados para transformar o polímero novamente num clorossilano. O produto recuperado pode entrar como matéria-prima em sínteses de novos compostos de silicone, em vez de servir apenas como carga ou óleo de menor valor.

A universidade descreve ensaios com diferentes objetos, mas o comunicado não fornece uma avaliação industrial completa de rendimento energético, custos ou emissões. A equipa pediu uma patente, pelo que parte da implementação está ligada a propriedade intelectual.

Nos ensaios divulgados, a reação decorreu a 80 °C. Alguns produtos atingiram até 99% de recuperação após 24 horas; uma mistura de resíduos de silicone chegou a 86%. Estes rendimentos laboratoriais não incluem uma análise industrial de separação, energia e purificação.

O problema dos reagentes e da pureza

A rota envolve fosgénio ou química relacionada, uma substância altamente tóxica que exige sistemas fechados e controlo industrial. Os investigadores assinalam a necessidade de desenvolver métodos que removam traços mínimos de fosgénio do dimetildiclorossilano recuperado.

Esse ponto é material para avaliar segurança e circularidade. Recuperar a molécula certa não basta se a purificação, o consumo de reagentes ou a gestão de misturas tornar o processo impraticável.

O que foi demonstrado

O resultado estabelece uma via química para regressar a um precursor de elevado valor e mostra compatibilidade com vários produtos. Não demonstra ainda uma linha comercial, uma taxa de reciclagem para fluxos municipais nem vantagem ambiental líquida.

A comparação relevante será com produção virgem, incineração, reciclagem mecânica e outras rotas químicas, usando análise de ciclo de vida e amostras contaminadas reais.

Da bancada à fábrica

Os próximos dados devem cobrir escala, rendimento, energia, recuperação de reagentes, pureza e custo. Também será necessário identificar fluxos de resíduos suficientemente homogéneos para alimentar o processo com segurança.

Fonte
TU Berlin — Breakthrough in Silicone Recycling