UE regista 20 022 vítimas de tráfico e reforça a resposta à exploração digital
O relatório de 16 de outubro compara 2023–2024 com o biénio anterior. A estratégia prevê cooperação tecnológica; os registos não medem toda a prevalência.

A Comissão Europeia apresentou em 16 de outubro uma nova estratégia contra o tráfico de pessoas, acompanhada de dados relativos a 2023 e 2024. O documento estatístico contabiliza 20 022 vítimas registadas na União Europeia nesse biénio, mais 16,1% do que as 17 248 do período 2021–2022.

A publicação antecedeu o Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos, assinalado em 18 de outubro. A Comissão identifica ferramentas digitais, plataformas e inteligência artificial entre os meios usados para enganar vítimas e coloca a tecnologia também na prevenção, deteção e investigação.
Ler a subida sem perder o denominador
Os números correspondem a pessoas que chegaram ao conhecimento das entidades de registo. O documento avisa que muitas vítimas permanecem por detetar. O aumento dos registos não permite, isoladamente, calcular quanto cresceu a prevalência real do crime.
Dentro do biénio mais recente, os totais foram 10 556 em 2023 e 9 466 em 2024. A subida de 16,1% compara dois períodos de dois anos; não descreve uma subida entre 2023 e 2024.
Na exploração laboral, o relatório identifica 6 965 vítimas em 2023–2024, contra 5 940 no biénio anterior. Portugal registou 503 vítimas dessa forma de exploração no período mais recente. O valor refere-se ao país de registo, sem permitir atribuir nacionalidade portuguesa a todas essas pessoas.
Tecnologia, empresas e proteção
A estratégia organiza a resposta em seis pilares, incluindo tecnologia, envolvimento do setor privado, combate a redes transnacionais, riscos ligados à migração, resposta a crises e proteção de pessoas vulneráveis.
A Comissão prevê criar uma coligação europeia de empresas contra o tráfico e apoiar a cooperação entre inspeções do trabalho através da Autoridade Europeia do Trabalho. São ações previstas, cuja execução terá de ser acompanhada. A divulgação não demonstra já resultados de novas ferramentas de deteção.
O relatório oferece uma base administrativa para orientar prioridades; a estratégia acrescenta compromissos de ação. A avaliação da resposta digital terá de mostrar como as ferramentas identificam situações reais e que apoio chega às vítimas. Os dados documentam a dimensão conhecida do problema, deixando explícita a parcela que escapa aos registos.
