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Austrália investiga a aplicação HeyCyan usada em óculos inteligentes

O regulador quer esclarecer quem acede às gravações e onde são guardadas.

2 minAtualizado
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Ilustração conceptual gerada por IA: óculos inteligentes genéricos, telemóvel com o ecrã voltado para baixo sobre uma mesa clara, com um caderno fechado ao fundo; os objetos não representam modelos comerciais identificados.

A autoridade australiana de proteção de dados, OAIC, anunciou a 7 de outubro uma investigação às práticas de privacidade da Shenzhen Qingcheng Future Technology, responsável pela aplicação HeyCyan. O software acompanha vários óculos inteligentes de baixo custo, incluindo modelos Anko vendidos pela Kmart.

O procedimento segue perguntas preliminares enviadas desde 12 de agosto a fabricantes e distribuidores. Segundo a autoridade, a Shenzhen Qingcheng não respondeu. A investigação formal permite recorrer a poderes de recolha obrigatória de informação. O documento consultado estabelece a abertura do processo; a determinação de eventuais infrações dependerá dos resultados.

Seguir o percurso da gravação

A HeyCyan liga os óculos ao telemóvel para funções como chamadas, música e assistente de voz. Informação recolhida pelo dispositivo passa pela aplicação para processamento. As perguntas do regulador incidem no funcionamento da captação, nas entidades com acesso e no local de armazenamento.

Este percurso é relevante para avaliar um equipamento conectado. A marca visível na embalagem pode identificar o vendedor, enquanto outro fornecedor opera a aplicação. Para compreender a exposição dos dados, é necessário identificar as entidades ao longo dessa cadeia e as responsabilidades de cada uma.

A responsabilidade acompanha os dados

Num texto publicado no mesmo dia, a comissária Carly Kind explica que, no enquadramento australiano, vender o dispositivo por si só não torna uma empresa responsável pelo tratamento que outra entidade realiza. A análise centra-se em quem recolhe e detém informação pessoal.

A possibilidade de identificar pessoas depende também do contexto das gravações. Um crachá, uniforme ou localização pode acrescentar elementos de identificação. A comissária assinala que a autoridade ainda não identificou reconhecimento facial nos dispositivos disponíveis no mercado australiano. A investigação à HeyCyan não permite atribuir essa funcionalidade ao produto.

A OAIC escreveu igualmente a retalhistas para expressar preocupações. O próximo resultado material será esclarecer o tratamento efetivo das gravações e a resposta da empresa. As propostas de reforma legal mencionadas pela comissária devem ser acompanhadas no respetivo processo legislativo. As conclusões deste caso pertencem à jurisdição australiana.

O Guardian noticiou a 7 de outubro que os óculos deixaram de constar no site da Kmart. O retalhista foi contactado para comentário. A informação não confirma a disponibilidade nas lojas físicas nem uma decisão regulatória de proibição.

Leitura relacionada: o valor económico da privacidade e da proteção de dados.

Fontes
OAIC — investigação, 7/10/2026; OAIC — análise da comissária, 7/10/2026; The Guardian — desenvolvimento comercial, 7/10/2026OAIC — investigação, 7/10/2026OAIC — análise da comissária, 7/10/2026The Guardian — desenvolvimento comercial, 7/10/2026